(BIO)QUÍMICOS DE SUCESSO

Este é o espaço dado a antigos estudantes do DQB, que se têm vindo a destacar no meio profissional. Descobre de que forma o DQB contribui para formar profissionais bem sucedidos.

Jorge Ribeiro

Jorge Ribeiro licenciou-se em Química pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, em 1988. Atualmente, é Chefe de Laboratório da Refinaria de Matosinhos (Galp), onde coordena os Sistemas de Qualidade e as atividades de laboratório. Foi membro do Conselho de Representantes da FCUP entre 2016 e 2018. Tem participado, por convite, na lecionação de cursos de pós-graduação na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

1. Como surgiu a oportunidade de ingressar na GALPENERGIA? Enviei um CV e um pedido de estágio. Passado pouco tempo chamaram-me para desenvolver um trabalho relacionado com viscosidade de betumes. Posteriormente surgiu a necessidade do Laboratório arrancar com uma Unidade Piloto de destilação de petróleo bruto e, adicionalmente, começar preparar a acreditação do Laboratório. Gostaram do meu trabalho e fiquei.

2. Ser Licenciado em Química pela FCUP foi uma mais-valia para entrar no mercado de trabalho ? Claro que sim. A FCUP tem muito boa reputação e deve fortalecê-la articulando-se cada vez mais com Empresas e Instituições externas. Por outro lado, a Química é uma ciência fundamental, com uma aplicação abrangente na Sociedade: indústrias relacionadas, biotecnologia, ambiente, análise química, atividades forenses, arte, arqueologia, etc.

3. De que mais gosta no DQB ? Apesar do esforço que tem sido feito, penso que não tem divulgado (publicitado) eficientemente as mais valias do curso.

4. Uma ideia para melhorar o DQB ? Penso que a FCUP se deve aproximar mais da Cidade. Uma forma de o fazer é criar condições para que o espólio dos seus Museus possa ser visitado pelos portuenses (e não só): arqueologia, geologia, zoologia, etc.

5. Um Professor marcante do DQB ? Tive vários professores que muito apreciei mas não gostaria de destacar nenhum.

6. Uma Unidade Curricular preferida do DQB ? Do meu tempo, gostei muito de Química Física/Termodinâmica; é um tema que gosto muito pois permite explicar/interpretar muitos dos aspetos da nossa vida quotidiana.

Luísa Figueiredo

Luísa Figueiredo licenciou-se em Bioquímica pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, em 1997. Realizou o seu Doutoramento em malária  no Instituto Pasteur (Paris), tendo obtido o grau académico pelo ICBAS (2002). Seguiu depois para a The Rockefeller University (Nova Iorque, EUA), onde efetuou Pós-Doutoramento noutra doença parasitária, a doença do sono. É, desde 2010, Diretora de Laboratório no Instituto de Medicina Molecular – João Lobo Antunes.

1. Como surgiu a oportunidade de ingressar no Instituto de Medicina Molecular (IMM) ? Graças ao programa Ciência 2008, o IMM abriu posições para diretores de laboratório. Concorri e fui selecionada. Nessa altura (início da crise económica) muitas Universidades congelaram o recrutamento. Concorri a cerca de 4 instituições e tive duas ofertas. O IMM foi a oferta que mais me aliciou.

2. Ser licenciada em Bioquímica foi uma mais-valia para entrar no mercado de trabalho ? O meu mercado de trabalho foi ser recrutada para fazer o Doutoramento no Instituto Pasteur. Nessa fase, foi uma enorme mais-valia vir da Universidade do Porto. O meu orientador Alemão em Paris sabia que os estudantes desta Universidade tinham uma formação excelente e sólida nas áreas das ciências da vida.

3. De que mais gosta no DQB ? Atualmente, não sei! Infelizmente, não voltei ao DQB desde que saí da Faculdade. Mas guardo excelentes memórias dos bons tempos de estudante universitária, dos meus amigos, das anedotas/brincadeiras com alguns professores… o típico! A parceria FCUP e ICBAS dava-nos os melhores professores de cada Faculdade. Também exigia maior autonomia e organização porque as aulas eram em edifícios distantes, as secretarias eram diferentes, etc. O meu ano era espetacular! Fazíamos sebentas em grupo que foram partilhadas ainda durante os anos seguintes. Também organizamos a primeira viagem de curso ao Brasil!

4. Uma ideia para melhorar o DQB ? O grupo de antigos alunos poderia organizar convívios, convidar os antigos alunos a vir partilhar as suas experiencias com os atuais alunos (eu venho!) e até organizar sessões de fundraising. Teria presença no Twitter e outras redes sociais.

5. Um Professor marcante do DQB ? Das disciplinas gerais (1º ano) – Carlos Corrêa. Era um excelente comunicador e inspirador. Senão, nunca me teria interessado pela combustão do petróleo e os octanos! No final tive 18 e partilhei o premio do Prof. Doutor Fernando Serrão com o meu grande amigo Mário Gomes Pereira. Das disciplinas mais específicas (4ºano) – Maria João Saraiva. Era uma apaixonada pela Bioquímica. Ensinou-nos a estrutura dos aminoácidos com tal excitação, que ainda hoje sorrio quando tenho de pensar se a cadeia lateral de uma aminoácido é carregada, pequena, ou apenas um hidrogénio. (Nota: Maria João Saraiva foi docente do ICBAS)

6. Uma Unidade Curricular preferida do DQB ? Bioquímica II, lecionada pelo Prof. Moradas Ferreira. Era uma disciplina acerca do metabolismo. Havia muita matéria para aprender. Mas sobretudo havia o temível exame oral obrigatório. Esse exame obrigava-nos a saber muito bem a matéria para depois respondermos quais as adaptações metabólicas do nosso organismo em cenários imaginados pelo professor (ex. um atleta de maratona que chegava a casa e comia uma banana). Esse lado de ir além de apenas testar a matéria decorada, foi desafiante mas gratificante. (Nota: A UC Bioquímica II é lecionada no ICBAS)

Marta Araújo

Marta Carvalho Araújo licenciou-se (2006) e doutorou-se (2011) em Química pela FCUP. Atualmente, é Administradora Não Executiva da Castelbel, membro do Conselho Geral do Instituto Politécnico da Maia, Membro do Conselho Consultivo da Rede Mulher Líder (apoiada pelo IAPMEI) e Presidente do Conselho Fiscal da Sociedade Portuguesa de Ciências Cosmetológicas.

1. Como surgiu a oportunidade de ingressar na CASTELBEL ? No meu caso (tal como creio que em muitos casos!), a oportunidade nasceu de relações pessoais. Não foi propriamente uma “cunha”, no sentido pejorativo habitual do termo, mas sim uma “referência” ou “recomendação”, derivada da proximidade aos decisores. E, é claro, resultou de eu estar no sítio certo à hora certa: em 2011, quando acabei o Doutoramento e não consegui ter acesso a uma bolsa de Pós-Doutoramento da FCT, o meu marido (Professor Aposentado do DQB da FCUP) era um dos sócios minoritários da Castelbel e o maioritário era um senhor inglês, muito “fora da caixa”, que achava piada ao meu perfil igualmente “atípico”… creio que terá sido por isso que, quando a Diretora Comercial na altura (que também era inglesa) pediu para sair, eles me convidaram a assumir o cargo. Quer isto dizer que eu comecei “por cima” – num cargo de direção – porque tinha uma ligação direta aos donos da empresa. Nem todos (ou quase nenhuns!) têm essa felicidade… Depois, só tive de fazer aquilo a que me obriguei: provar que tinham feito a escolha certa! (risos)

2. Ser licenciada e doutorada em Química pela FCUP foi uma mais-valia para entrar no mercado de trabalho ? Não foi, pela razão que indiquei antes, uma mais-valia para entrar no mercado de trabalho, mas foi, certamente, uma mais-valia para vingar no mercado de trabalho.  A formação em Ciências deu-me algo que, eventualmente, outras áreas não cultivam, como pensamento científico (objetivo, racional, sistemático), capacidade analítica e raciocínio crítico (baseado, sobretudo, em lógica), que têm sido da maior importância para o meu sucesso profissional.

3. De que mais gosta no DQB ? Da descontração e sentido de pertença (ou seja, a sensação de que “estamos em casa”).

4. Uma ideia para melhorar o DQB ? Falando apenas do que vivi (porque não sei como funciona atualmente), parecer-me-ia importante que os alunos do DQB tivessem acesso a disciplinas mais focadas nas famosas “soft skills”, que depois lhes fossem úteis para o ingresso no mercado de trabalho e ao longo da carreira profissional. Poderiam ser as que eu frequentei em Londres ou outras, como Fundamentos de Empreendedorismo, Gestão de Equipas, Marketing e Vendas, Design Thinking e similares. E que essas disciplinas fossem lecionadas por profissionais com experiência prática na área (os chamados “practitioners”), porque a teoria é – obviamente – muito importante, mas, na vida real, não chega!

5. Um Professor marcante do DQB ? Parece muito mal eleger o meu marido, Aquiles Araújo Barros, ex-professor de Química Analítica? (risos)  É que ele foi, definitivamente, o que mais impacto teve sobre a minha formação (ao recomendar que mudasse da Licenciatura em Ensino de Física e Química para a Licenciatura em Química – Ramo Científico e ao acolher-me no grupo de Investigação que, na altura, liderava), sobre o meu sentido crítico (alertava sempre os alunos para a necessidade de, num exame, analisar criticamente o resultado final dos cálculos: nada o incomodava mais que a falta de cuidado, na resolução de um problema, em verificar se a ordem de grandeza do resultado fazia ou não sentido, no contexto prático da situação em estudo) e sobre o meu foco no que é mais importante (chamava-nos sempre a atenção para o peso do custo de cada solução no momento de tomada de decisões empresariais e era conhecido no meio estudantil como “o gajo do bom senso”, pela importância que dava à ponderação, ao senso comum, à análise multidimensional de cada situação, à necessidade de manter tudo em perspetiva.)

6. Uma Unidade Curricular preferida do DQB ? Química Industrial: uma disciplina opcional lecionada pelo Prof. Adélio Machado que, no 4º ano, apreciei pela diferença relativamente a tudo o que tinha aprendido até então e que, mais tarde, acabou por ser a mais próxima da minha realidade profissional.

Pedro Rodrigues

Pedro Rodrigues licenciou-se em Bioquímica (1996) e doutorou-se em Química (2003) pela FCUP. Depois de ter assumido, em 2016, a função de Diretor Industrial dirigindo a totalidade das 7 fábricas de bebidas do Super Bock Group, é atualmente o seu responsável pela Direção de Qualidade, Ambiente e Segurança.

 

1. Como surgiu a oportunidade de ingressar no SUPER BOCK GROUP ? Recebi convite a candidatar-me para um lugar na Direção de Qualidade do Super Bock Group (na altura Unicer – Bebidas de Portugal), ao abrigo de um programa de inserção de doutorados em empresas.

2. Ser licenciado em Bioquímica e doutorado em Química pela FCUP foi uma mais-valia para entrar no mercado de trabalho ? No meu caso foi sem dúvida muito importante. Eu durante o doutoramento tinha realizado trabalhos em parceria com a empresa. 

3. De que mais gosta no DQB ? Componente teórica e a qualidade do ensino nas ciências clássicas.Sentido de exigência e rigor, ajuda a formar pessoas resilientes. Forma bem pessoas. Nos conceitos teóricos, pois exige que saibam pensar e entender os fundamentos. Em trabalho de laboratório, pois é forte a sua componente de bancada e de relatórios (atenção pelos procedimentos e
resultados).

4. Uma ideia para melhorar o DQB ? Programas de tutoria para os professores (se ainda não os têm) e alunos de licenciatura. Fóruns de consulta às empresas. A adaptação dos conteúdos curriculares dos mestrados às potenciais entidades empregadoras. Promover Alunos/Departamento – Open Days para as Empresas/Empregadores. Direcionar estágios de mestrado e doutoramentos para programas com empresas (potencialmente) empregadoras ou potenciadoras de conhecimento organizacional/técnico e comportamental. Promoção de Spin-Off’s e empreendedorismo.

5. Um Professor marcante do DQB? No meu tempo, faz alguns anos, tive alguns: Aquiles Barros pelo entusiasmo e capacidade de interação; Maria Luísa Ferrão pelo conteúdo letivo, exigência dos exames e rigor pedagógico; Carlos Corrêa, um professor que sabia e era omnipresente, próximo de todos era um professor e um pedagogo.

6. Uma Unidade Curricular preferida do DQB ? Química Analítica, bem dirigida para a vida empresarial; Química-Física, com formação teórica muito forte, aulas teórico-práticas bem estruturadas e aulas práticas muito boas; Química Orgânica, com forte base teórica e aulas práticas que deram rotina laboratorial.